Manoel Soares Magalhães: um pintor do nosso tempo
Arnoldo Walter Doberstein¹
Os três polos de um circuito artístico (autor-obra-público) devem, necessariamente, estar interligados? Alguns entendem que não. Postulam estes que a obra de arte (pintura, escultura, literatura, música etc.), uma vez produzida, autonomiza-se de tal forma que o autor não importa mais.Outros, como é o nosso caso, entendem diferente. Que a obra pode até ganhar outros significados derivados da relação direta com o público. Mas, para sua compreensão plena, conhecermos o seu significado intencional, ou seja, aquele que o próprio autor quis conferir, sempre será imprescindível.
Os três polos de um circuito artístico (autor-obra-público) devem, necessariamente, estar interligados? Alguns entendem que não. Postulam estes que a obra de arte (pintura, escultura, literatura, música etc.), uma vez produzida, autonomiza-se de tal forma que o autor não importa mais.Outros, como é o nosso caso, entendem diferente. Que a obra pode até ganhar outros significados derivados da relação direta com o público. Mas, para sua compreensão plena, conhecermos o seu significado intencional, ou seja, aquele que o próprio autor quis conferir, sempre será imprescindível.
Por conseguinte, nos dias de hoje, de hiper-interatividades, via mídias sociais, mais do que nunca é possível alcançarmos esta compreensão mais completa da obra de arte. Especialmente quando o artista se dispõe a se utilizar destas mídias para falar do processo criativo. Como é o caso de Manoel Soares Magalhães, jornalista, literato e pintor, cujo trabalho acompanho há quatro anos.
Seus naïfes de uma intensa, variada e por vezes surpreendente paleta pictórica, composições arrojadas, serenamente simétricas, porém uma rigorosa perspectiva nos escorços, por si só contam com encantos suficientes para nos enlevar e elevar. Além de seus dégradés esfumados, a técnica da paciência, precisão e perseverança, com a qual Manoel obtém suas passagens de luz e sombra.
Mas, para além destes aspectos formais, o que também qualifica a obra de Manoel é a escolha dos temas. Alí estão o imaginário de Simões Lopes Neto, recantos de Pelotas e outros lugares por onde o artista passou, evocações da infância, meninas lendo, arco-iris e, ultimamente, a revisitação aos clássicos. É aqui onde se revelam o poeta, o pensador, o observador atento e sensível, um humanista no mais elevado sentido da palavra. Parabéns aos idealizadores da presente amostra.
¹Arnoldo Walter Doberstein é doutor em História pela PUCRS, onde lecionou, entre outras a disciplina História da Cultura Artística. Autor dos livros Estatuária e Ideologia e Estatuários, Catolicismo e Gauchismo. Coordenador dos livros Emilio Sessa, Pintor - Primeiros Tempos e Emilio Sessa, Pintor Tempos Intermediários.
SOBRE O AUTOR
Manoel Soares Magalhães é pelotense, jornalista, com atuação em diversos periódicos brasileiros, pintor, poeta e escritor, com cinco livros publicados. Também escreve para teatro e cinema. Escritor premiado, em 1982 ganhou o Prêmio João Simões Lopes Neto – gênero teatro, e em 2005, no mesmo Prêmio – gênero contos, foi finalista com o conto A Mosca, publicado na antologia de Contos João Simões Lopes Neto. Há nove anos dedica-se à pintura, cujo trabalho desenvolve no estilo naïf, arte ingênua, na técnica acrílica sobre tela. Sua obra reflete sua vivência e os recantos de sua cidade natal, assim como reinterpreta grandes telas de pintores clássicos.
Mostra "O universo naïf de Manoel Soares Magalhães"
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Manoel Soares Magalhães é pelotense, jornalista, com atuação em diversos periódicos brasileiros, pintor, poeta e escritor, com cinco livros publicados. Também escreve para teatro e cinema. Escritor premiado, em 1982 ganhou o Prêmio João Simões Lopes Neto – gênero teatro, e em 2005, no mesmo Prêmio – gênero contos, foi finalista com o conto A Mosca, publicado na antologia de Contos João Simões Lopes Neto. Há nove anos dedica-se à pintura, cujo trabalho desenvolve no estilo naïf, arte ingênua, na técnica acrílica sobre tela. Sua obra reflete sua vivência e os recantos de sua cidade natal, assim como reinterpreta grandes telas de pintores clássicos.
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